FONTE: O Globo

Entra o verão e muitas cariocas procuram logo um salão de beleza para investir em mechas douradas, como se tivessem sido clareadas naturalmente sob os raios do sol. Pois chegou aqui uma técnica que produz esse efeito e está fazendo a cabeça de muitas famosas lá fora, como Julia Roberts, Vanessa Paradis e Jessica Biel.

A novidade, que já atrai também as brasileiras, tem sotaque estrangeiro. Prepare o biquinho e repita: ombré hair. Sim, as novas mechas nasceram na França, e o significado da palavra ombré (sombreado) dá pistas do resultado da técnica aplicada. Ela consiste em deixar as pontas dos cabelos gradativamente mais claras do que a raiz, com uns sombreados mesmo. – As pontas podem terminar com uma cor totalmente diferente do tom da raiz, mas a mudança é feita de forma delicada – explica o cabeleireiro Cláudio Espíndola, do salão Éclat, em Ipanema. – Gosto quando a raiz mantém a cor natural.
Qualquer semelhança com as mechas californianas, sucesso do verão passado, não é mera coincidência, apesar de os coloristas garantirem que não é a mesma coisa. Muitos classificam o ombré como uma evolução. As californianas foram inspiradas, como o nome diz, nas praias da Califórnia, em referência aos surfistas que costumam passar parafina nos cabelos, ficando com as pontas mais claras. – A mudança de tons é mais marcada nas californianas. Parece que o cabelo foi mergulhado numa lata de tinta e saiu com uma parte de outra cor – define Cláudio. – No ombré, a palavra-chave é sutileza. É um degradê que fica natural.
Para chegar ao efeito que você vê na foto maior, o colorista e cabeleireiro Glecciano Luz, do salão Backstage, em Ipanema, escolheu tons puxados para o mel, justamente para obter num cabelo castanho um resultado natural. O procedimento, que custa em torno de R$ 300, pode durar entre 40 minutos e uma hora e meia, dependendo do comprimento e do estado dos fios. – As mechas mais claras se misturam ao restante do cabelo – diz ele. -
Uma vantagem é que a pessoa não fica escrava da raiz quando ele cresce. Não precisa ficar retocando. Este foi um ponto fundamental para a acupunturista Maria do Carmo Abreu, que apostou numa mudança de cor puxada para o acobreado depois que viu resultado parecido na cabeça da modelo Camila Alves. Foi aconselhada a só voltar ao salão daqui a quatro meses. – Acho que o charme do ombré é algo como “olha lá, ela deixou o cabelo crescer sem retocar a raiz e ficou ótimo” – diz Maria do Carmo. – Achei mais elegante do que a forma californiana, que acaba remetendo muito a um estilo surfista. Para mim, o ombré, sim, parece mais o resultado de um verão na praia. Para a cabeleireira Sonia Nesi, do Studio de Beleza, na Barra, a novidade em degradê “é mais democrática”. Para ela, não imprime um estilo único, e pode ser usada em todos os tons de cabelo e pele. – Camila Alves é morena de pele e cabelo.
O cabelo escuro foi levemente “queimado”, para ganhar só uma luminosidade. Não necessariamente o ombré “puxa” para o louro – lembra. – Esta é outra diferença em relação ao estilo californiano. O tipo de cabelo também não é problema para quem quer aderir, ou seja, tanto os cacheados quanto os lisos podem ganhar o sombreado.
No caso dos lisos, o colorista Chris Villas Boas, do Visage Coiffeur, na Lagoa, aconselha um corte repicado, para que o degradê fique mais sutil. No caso dos ondulados, é preciso desfiar primeiro o cabelo com um pente, para depois tingir as mechas. O ponto ideal para começar o degradê é do lóbulo da orelha para baixo, mas isso pode variar de acordo com o comprimento dos fios. – Se o cabelo for mais curto, subo um pouco o início das mechas – explica Chris.
É bom lembrar que, como qualquer outro penteado com uso de química, não dá para descuidar das hidratações, que podem ser feitas de 15 em 15 dias. No caso do ombré, a descoloração é mais suave e não atinge o cabelo inteiro. Mesmo assim, creminho nele, ou pode acabar ficando com um ar ressecado.

Bjos meninas!